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domingo, 15 de dezembro de 2013

O Corcel e o Lobo





Num imenso campo coberto por neve corria sossegado um galante e esbelto Cavalo. Ofegante, o animal encontrava dificuldades em se locomover em um ritmo que um dia havia deixado clara todas as suas habilidades e estrutura física. O excesso de neve em seus cascos deixava todo aquele movimento cansativo demais.
Eis que o som rítmico do trotar do Cavalo é interrompido pela aproximação de um Lobo. O canino aparentemente não fazia nenhuma mensura de estar preparando um ataque, no entanto o instinto desconfiado do Cavalo o fez acelerar o galope a fim de que com aquele esforço o Lobo ficasse para trás e desistisse da sua suposta tentativa de caça.

De imediato ficou mais proeminente a distancia entre os dois animais, porém o Lobo recusava-se a ceder como o Corcel desejava, ao contrário disso, sem se deixar abater o Lobo concentrou-se em encurtar a distancia entre eles de forma gradativa. Sucedido, depois de algum tempo consegue se aproximar de tal forma que era acertado constantemente pela neve que se elevava com o galopar do outro animal.
É o fim, pensou o Corcel. Havia viajado dias e noites incessantemente cruzando planilhas e elevações enquanto enfrentava toda sorte de intempéries para perecer por que o acaso o tinha levado a aquela região? Aos infernos com aquele lobo! Aos infernos com o seu descuido ao prolongar os intervalos entre os descansos. Não queria morrer ali, havia muita estrada a percorrer, muitas escolhas a fazer e dentre essas muitas escolhas as que ele fizesse naquele momento mudariam tudo. Ao menos não desistirei tão fácil, escolheu ele, se esse lobo quiser me rasgar a garganta terá que lutar!
Com espírito renovado, preparava-se para o enfrentamento quando de súbito percebeu que o Lobo agora corria a seu lado. Agradecido ao mesmo tempo em que confuso sobre as reais intenções do Lobo, ele começa a perceber os fatos que seu instinto defensivo tinha deixado de relevar: Já havia enfrentado enrascadas contra lobos antes e o ataque era sempre em grupo onde o ordenamento do grupo no momento do ataque era o que o tornava eficaz, por sorte os ataques anteriores haviam sido em campo aberto e seu vigor tinha prevalecido.
Ficava claro que embora tivesse o terreno a seu favor o Lobo sozinho sabia que sua vitória era incerta e uma derrota iria lhe custar severos coices. Mas então o que levaria um Lobo a correr junto dele? Toda tensão inicial agora tinha sido convertida em curiosidade. Estava determinado a descobrir com que perspectiva o Lobo se mantinha a o perseguir de perto. Resolveu então observar por um tempo. O que se mostrou ineficaz, o Lobo conservava um olhar fixo no caminho adiante salvo quando deixava a atenção vaguear como quem sondasse possíveis caminhos alternativos. A única hipótese que o Corcel julgava possível era que talvez o Lobo só estivesse cansado de andar sozinho por aí e um companheiro de viajem estimularia seus impulsos competitivos.
Numa tentativa de comprovar suas suspeitas, o Cavalo acelera mais uma vez o galope e fica satisfeito com os resultados ao ver que o Lobo faz o mesmo. A partir daí se estabelece uma alternância frenética de líderes onde nenhuma das partes queria deixar escapar a primeira posição numa corrida imaginária com regras e destino que só aqueles dois conheciam. Dois corredores dando uma amostra das suas determinações enquanto a lua brilhava no alto e a neve cobria o que um dia havia sido verde com a cor e fluidez comparável a um tapete de nuvens. Aquela configuração do ambiente era mágica. Era como se cada elemento conspirasse pra enaltecer o que já era belo. Até que, por acordo taciturno, ambos os animais puseram-se a caminhar lentamente esperando que o frio daquela noite abrandasse o calor de seus corações e evitasse que mantivessem o ritmo que poderia causar morte por exaustão.
 Ao amanhecer, não havia mais neve no caminho e sentir a grama verdejante reacendeu o desejo do Corcel de correr a toda velocidade. Desta vez, sem chance pra o Lobo que se manteve bem atrás marcando um ritmo próprio, respeitando os limites das próprias capacidades.  O Corcel que não tinha nada a ver com isso manteve-se em disparada externando todo seu vigor e dotes físicos.
No fim da tarde daquele mesmo dia o Corcel finalmente interrompe sua corrida ao dar de cara com uma montanha bloqueando seu caminho. Transtornado, tentou avistar um meio de contornar a montanha, mas esta era flanqueada por uma floresta no lado esquerdo e muito extensa no direito. Teria então que atravessá-la se quisesse prosseguir, o que não seria nada fácil.
Reuniu coragem e iniciou uma subida vagarosa até que o cansaço o fez cair antes mesmo de chegar à metade da inclinação. Rendeu-se as reclamações do corpo e foi encontrar sossego se alimentando da vegetação do pé da montanha. Após se sentir satisfeito ficou com os pensamentos voltados para o Lobo que havia deixado pra trás. Havia se divertido muito com a corrida na noite anterior mesmo com toda aquela neve. No entanto, o dia havia mudado, o terreno havia mudado e ele precisava seguir em frente.
Sem perceber, caiu no sono.  Era inicio da noite e tudo estava estranhamente calmo. Passou-se algumas horas enquanto ele dormia até que:
 - ÁUUUUUUUUUUU.
De súbito, o Corcel abre os olhos assustado e olha a sua volta. Ainda era noite e aquele som parecia ter vindo da floresta que ladeava a montanha. Poderia ter sido o mesmo Lobo da noite anterior? Parecia difícil, afinal, aquele devia estar bem atrás, provavelmente teria descansado durante o dia. Por via das dúvidas resolveu se colocar em movimento estava preocupado com a possibilidade de ser outro lobo em seu encalço e que este não estivesse só desta vez. Teria de escalar logo aquela montanha. Estava cansado, mas ele acreditava que a vontade supera as capacidades físicas.
A subida não foi nada fácil e cada passo era uma luta de resistência. Recusou-se a subir por regiões que considerava de risco por diversas vezes, procurando outro caminho e parando em muitas outras, mas por fim conseguiu. Ainda era noite quando ele descia pelo outro lado. Finalmente se sentia livre, se sentia realizado, mas não totalmente claro, sua jornada tinha de continuar, o horizonte era a única coisa que ele seguia naquela jornada sem fim, mesmo que alguém o recriminasse e dissesse que o horizonte era só um ponto de vista, sentia-se vivo desde que não parasse e era o que não iria fazer. Mesmo que vagarosamente lá estava ele caminhando exausto mais uma dentre as inúmeras vezes. Mas de um jeito diferente de todas as outras vezes ainda havia algo estranho, estava tudo muito quieto na floresta que flanqueava a montanha e se estendia agora ladeando seu caminho. Era como se... toda a floresta temesse algo... ele não tinha certeza. Continuou alternando suas ações entre caminhar e espreitar a floresta até que ouve um barulho: aparentemente o farfalhar de folhas, algo pareceu movimentar-se fazendo remexer a vegetação na floresta. Medo e expectativa crescem no coração do perseguidor do infinito quando de lá de dentro sai o mesmo lobo que antes havia ficado pra trás, desta vez, estava diferente havia ganhado uma cicatriz na pata dianteira direita e gotículas de sangue manchava seu espesso pelo. O Corcel não sabia se dava as boas vindas ou se preparava para se defender, afinal as intenções do Lobo poderia ter mudado, ele poderia muito bem não estar só desta vez.  Pra seu alivio enquanto o Lobo se aproximava nenhum sinal era notado na floresta, só então conformou-se com a ideia de estar seguro e o desejo de competição voltou a pulsar em seu intimo. O Lobo pareceu perceber e disposto a atiçar aquele sentimento, pois disparou como quem estivesse impondo um desafio. E como correram... A falta de neve diminuiu a dificuldade, mas não a beleza do espetáculo.
Competiam, mas era uma competição sadia. A alteridade expressa através da competição é uma forma de se medir o próprio desempenho até mesmo quando se compete consigo mesmo e aqueles que buscam melhorar estão sempre competindo. Eles eram animais diferentes, que pensavam de forma diferente, que falavam uma língua diferente e que haviam escolhido rotas diferentes, no entanto, não discutiam, não brigavam ou se destruíam mutuamente, afinal, por menor que fosse, eles tinham uma coisa em comum: seguiam na mesma direção.


Nota: Eu sei que é um pouco longo e talvez cansativo, mas espero que tenha aproveitado. É mais uma vez um conto com uma mensagem boa que queria compartilhar com você. De fato, a ausência de postagens tem prejudicado o crescimento do blog, mas o que posso afirmar pra você que tem apreço pelo que é publicado aqui é que as produções estão ocorrendo. A demora só é sinal do cuidado que os administradores têm com a qualidade do blog. Acredito que, como os personagens do conto, eles com suas diferenças seguem direcionados a fazer deste um ambiente de criação de conhecimento onde o texto não acaba no ponto final, mas que o texto seja um conjunto onde as duvidas, criticas e quaisquer ideias surgidas nos comentários complementem e façam parte do todo denominado texto. Obrigado por não nos abandonar e como eu disse deixe os seus sussurros do pensamento!

domingo, 2 de junho de 2013

Inimigo: Eu [Parte 2]


Durante alguns instantes, Daniel fica completamente paralisado diante da tela do computador, até que retorna a si de súbito quando alguém bate à sua porta. Ele imediatamente desliga o monitor e se abaixa para fingir que deixou cair algo no chão. Isso também é uma forma de se recuperar do susto e respirar fundo um pouco.

- Daniel? - pergunta Bárbara, de pé na porta segurando a maçaneta.
- Oi, Bárbara. - responde ele ainda abaixado fingindo estar procurando algo debaixo da mesa.
- O que você está fazendo? - pergunta ela sorrindo.
- A minha caneta caiu aqui no chão.
- Daniel. Sua caneta está na mesa, bem na sua frente. - diz ela apontando.
- Ah! É verdade! Que cabeça a minha - diz ele com um sorriso nervoso e já retornando a posição normal.
- Hum. Vamos logo para a reunião matinal. O sargento mandou te chamar. Ele quer informações sobre o caso do estupro de ontem.
- Si.. sim. Já estarei lá. Vou só reunir o material pra levar. -  responde ele nervosamente.
Bárbara balança a cabeça, vira de costas e sai, fechando a porta.

Daniel liga novamente o monitor e fica olhando para a tela por alguns instantes. Resolve fechar o programa, limpando seu histórico recente, remove a página do perfil de DNA do scanner enfiando-o no bolso da calça, levanta e vai em direção à sala de reunião. Ao chegar perto da entrada ficou imaginando que certamente perguntariam sobre o caso de ontem. Sem saber ainda o que fazer, ele simplesmente resolve seguir direto e se dirige ao elevador. Entra e aperta o botão do térreo. Seu telefone toca.

- Oi, Rafael.
- Daniel, aconteceu de novo. Acabei de receber uma ligação e estou indo pra lá.
- O que aconteceu? - pergunta Daniel um pouco confuso.
- Outro homicídio parecido com o de ontem. Av. Thomas Edison, número 12.
- Certo, estou indo pra lá. - diz ele já dirigindo-se para o carro.

Cerca de meia hora depois Daniel chega ao local informado por Rafael. Na frente da casa uma pequena aglomeração de vizinhos e curiosos se formou, fazendo com que ele tenha que pedir licença para algumas pessoas até poder alcançar a fita de isolamento. Ele mostra a identificação para o policial que está de pé ao lado do cavalete e este suspende a fita para permitir sua passagem. Rafael está de pé, na porta da casa, aguardando sua chegada.

- Eu estava saindo da central quando recebi o telefonema. - diz Rafael logo que Daniel se aproxima.
- Não há sinais de arrombamento na porta - diz Daniel olhando para a fechadura da porta da frente.
- Exato. Também está tudo em ordem na sala, como você pode ver.
- O corpo da vítima está no quarto?
- Isso. E por lá também não há sinais de bagunça ou luta.

Daniel observa que a sala está em perfeito estado, indicando que ou nada aconteceu por ali, ou ela foi deliberadamente arrumada. A porta do quarto está semi-aberta e pela fresta é possível ver o corpo sobre a cama, também de bruços. Ele coloca as luvas de borracha, empurra a porta e entra. No quarto está tudo arrumado, exceto pela cama que está um pouco bagunçada.

- A moça aí se chamava Camila Perkins. Trabalhava como caixa no Mall Wart. Depois daqui, vou ao local onde ela trabalhava para conversar com os colegas dela. - diz Rafael segurando seu bloco de anotação.
- Ok - diz Daniel examinando o corpo - Camila tem marcas na região do pescoço, indicando um possível estrangulamento. Assim como a moça de ontem, ela também teve o polegar direito removido com um corte preciso na junta entre os ossos.
- O que mais? - pergunta Rafael.
- O fato dela estar sem a parte de baixo da roupa pode indicar que houve estupro, mas não dá pra afirmar nada de forma certa sem a análise do legista. Preciso procurar por mais evidências pelo quarto, você pode me deixar sozinho por um instante?

Rafael sai do quarto sem nada dizer. Daniel vai atrás e fecha a porta quando ele sai. Ele também fecha a cortina da janela e deixa o ambiente o mais escuro possível para poder usar sua lanterna UV afim de detectar restos de sêmen ou outro fluido que o agressor possa ter deixado para trás, mas não encontra. Ele consegue, porém, coletar fios de cabelo nas mãos da vítima e na cama. Ele também acaba encontrando algumas digitais na maçaneta da porta do quarto. Fora isso, nada mais pode ser encontrado lá.

- Encontrei uns fios de cabelo e algumas digitais. Vou levar isso para análise no laboratório. - diz Daniel saindo do quarto.
- E o dedo que cortaram?
- Nenhum sinal dele, nem do instrumento que foi usado para isso.
- Tudo bem. Vou mandar remover o corpo e lacrar o quarto.

Algumas horas depois, já de volta para a central, Rafael entra na sala de Daniel.

- Olha só, acabo de vir do laboratório. Das digitais que você coletou, uma pertence à própria vítima, a outra pertence a Matteus Hecktor.
- É, estou vendo aqui. - diz Daniel acessando as informações do caso no computador - Esse tal Hecktor já cumpriu pena por estupro.
- Sim. E quando comparamos o perfil de DNA dos fios de cabelo que você coletou com o desse cara, o resultado foi positivo. Acho que pegamos o desgraçado.
- Já mandaram uma viatura apreender ele?
- Já, sim. Devem estar trazendo ele a qualquer instante.

Uma movimentação na entrada principal lhes chamam a atenção. Dois policiais trazem um homem forte, alto e com a barba por fazer. No braço direito pode-se ver uma tatuagem de uma caveira sobre um símbolo geométrico.

- Esse é o cara. Esse é o Hecktor - diz Rafael apontando para a sala principal através do vidro. - Só acho estranho como um cara como esse pode ter sido tão cuidadoso ao ponto de não deixar nada bagunçado na casa da vítima. Isso me soa bastante estranho.
- Como assim? - pergunta Daniel sentindo uma ponta de preocupação. - O cara pode ter uma aparência bruta, mas pode ser metódico, oras.
- É. Pode ser, mas com certeza tem algo de estranho aí.

Hecktor é levado para a sala de interrogatório, onde Rafael entra cerca de 20 minutos depois e começa a lhe fazer perguntas.

- Hecktor. O que você estava fazendo ontem à noite? - pergunta Rafael olhando nos olhos de Hecktor.
- Eu estava em casa, bebendo e vendo televisão.
- Com mais quem?
- Eu estava sozinho. Eu moro sozinho, porra!
- Sim. Muito conveniente. Mas nós sabemos que você esteve ontem na casa de Camila Perkins.
- De quem? - pergunta Hecktor franzindo a testa.
- Camila Perkins, seu desgraçado! Ela está morta! Você matou ela!
- Eu não matei ninguém! Eu estava em casa ontem!!!
- Pra que ficar fingindo, Hecktor, encontramos suas digitais na porta e seus fios de cabelo nas mãos desta moça! - grita Rafael batendo na mesa, jogando uma foto de Camila para Hecktor ver.
- O que? Como assim? - diz ele com expressão de surpresa - Eu nunca vi essa vagabunda!
- Ah, então ela é vagabunda? Foi por isso que você matou ela?
- Não.. Eu não disse isso!
- Mas você chamou ela de vagabunda. Você tinha raiva dela. Foi por isso que a matou.
- Eu não vou falar mais nada. Eu quero meu advogado.
- Tá certo, você vai ter sua merda de seu advogado, mas você não vai escapar seu desgraçado. Eu vou provar que foi você que matou as duas moças.
- Duas moças? Vai se ferrar, filho da puta! Eu não fiz nada! - diz Hecktor estendendo os dedos médios em riste para o detetive.
- Eu vou te pegar, desgraçado! - diz Rafael levantando. Ele sai da sala batendo a porta de forma violenta.

- Você ficou nervoso, hein? - diz Daniel assim que seu colega sai da sala de interrogatório
- Porra! É muita cara de pau! As evidências mostram que ele esteve lá e ele nega como se nada estivesse acontecendo!
- Isso é típico de um comportamento sociopata, Rafael.
- Ah. Eu vou sair pra tomar um café. Preciso me acalmar um pouco. Você vem?
- Não, não. Preciso terminar umas coisas antes - diz Daniel. - depois a gente se fala.
- Tá certo.

Daniel observa enquanto Hecktor é retirado da sala de interrogatório e levado para uma das celas da carceragem. Ele precisava falar com aquele homem. Ele precisava saber o que aconteceu e porque o outro homicídio foi tão parecido com esse. Porque cortar os dedos das mulheres? A cela para a qual o levaram era a de número 9. Agora não era uma boa hora para fazer isso. Muitos poderiam vê-lo. Ao invés disso ele esperaria anoitecer e aí, sim, viria falar com ele extra oficialmente. Ele voltou para sua sala e esperou.

Por volta das 20:30, a maioria das pessoas já haviam deixado seu andar. Daniel foi para o elevador e apertou o segundo andar, onde ficavam as celas para os presos preventivos. Era o caso de Hecktor. Daniel viu quando o guarda que toma conta da entrada principal saiu para ir ao banheiro e aproveitou a oportunidade para entrar no corredor e dirigir-se até a cela número 9.

O policial Dimitri estava no banheiro quando ouviu gritos vindo do conjunto de celas. Eram gritos de horror de uma pessoa desesperada. Ele imediatamente interrompeu o que estava fazendo, fechou o zíper da calça, pegou sua pistola e correu até o corredor de celas. Chegando lá, não encontrou ninguém além do prisioneiro da cela 9 completamente encolhido, acuado no canto, com os olhos arregalados. Ele estava em choque. Dimitri olhou ao redor mas não encontrou sinais de que alguém estivera por lá.

Eram 3:15 da manhã quando o telefone de Daniel toca, fazendo-o levantar da cama num sobressalto.

- Alô!
- Daniel? Tá acordado? É Rafael.
- Agora não mais. O que aconteceu? São três horas da manhã, cara.
- Hecktor está morto, Daniel. Ele se enforcou na própria cela com um lençol. Acabei de saber.
- O que? - pergunta Daniel meio atordoado.
- O policial que está de plantão, Dimitri, me ligou. Ele foi fazer a ronda de rotina e achou o cara pendurado.
- Bem. Então com a morte do principal suspeito vão arquivar o caso, não é?
- Não sei. Mas amanhã de manhã quero sentar contigo e rever todas as evidências forenses que você levantou. Vamos repassar tudo. Tem alguma coisa estranha nisso tudo.
- Ok. Amanhã nos falamos. - diz Daniel desligando o telefone.

Sem sono e agora preocupado, Daniel resolve levantar e vai até a cozinha pegar sua garrafa de Red Label e um copo. Ele apóia o copo sobre a mesa de centro, senta-se no sofá e começa a encher o copo com Whisky. - Merda! - diz ele sozinho - Esqueci a porra do gelo de novo. Ah não. Agora eu vou pegar. - e levanta novamente para buscar o gelo. Ele abre a porta da geladeira e abre o congelador para pegar as cubas de gelo, mas quando a porta se abre o que ele vê o faz soltar o copo, que se parte em vários pedaços espalhando vidro e bebida por todo o chão da cozinha. Daniel fica ali, imóvel.

Dentro de seu congelador, estão dois polegares direitos, congelados.

[Continua...]

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Inimigo: Eu


Quando a luz do semáforo fica verde, quase que instantaneamente o carro de trás aciona a buzina, trazendo Daniel de volta ao mundo real. Sentindo uma raiva imediata ele olha pelo retrovisor para identificar o desgraçado impaciente que não sabe esperar por dois segundos, ou pelo menos é isso o que ele pensa e nem percebe que ele próprio está com paciência zero. Em grande parte, seu nervosismo se deve ao fato de que sua cabeça ainda estava relembrando os fatos do dia. Apesar de já trabalhar na perícia criminal há mais de 10 anos, ele nunca se sente realmente impassivo quando vê certas cenas de crimes, principalmente quando envolve crianças. 

Naquele dia, em especial, ele foi periciar um local onde duas crianças haviam sido mortas pela madrasta, que também se matou. Para as crianças ela usou uma faca de cozinha, guardando para si própria a única bala de revólver que tinha. Apesar do próprio crime em si ser bárbaro, o que lhe chamou a atenção foi a impressão de ter visto um homem sentado no canto da sala logo que ele entrou. O homem vestia um sobretudo preto e não possuía um rosto, apenas uma mancha extremamente escura ocupava o lugar de sua face. Este homem, ele viu de relance com sua visão periférica e mesmo tendo ele desaparecido tão logo ele tenha virado a cabeça, Daniel ainda se sentiu como se estivesse sendo observado durante todo o tempo que esteve ali. Foi no meio deste devaneio que o desgraçado do motorista do carro de trás resolveu acionar a buzina, não só trazendo-o de volta ao mundo real mas lhe dando um susto dos infernos.

Depois que a raiva momentânea passou, novos devaneios voltam a tomar conta de sua mente quando o celular vibra no seu bolso fazendo-o tomar um novo susto - Porra! Porque que fabricam celulares com uma vibração forte desse jeito! - esbraveja ele sozinho, enquanto pega o aparelho no bolso e atende.

- Detetive Rafael! A que devo honra? - diz em tom de brincadeira.
- Engraçadinho... Daniel? Preciso de você aqui.
- Certo. - responde Daniel já um pouco apreensivo - Aqui, onde?
- Ah, sim. - diz ele meio desconcertado - Avenida Nikola Tesla, número 23.
- O que aconteceu?
- Um estupro seguido de morte....
- Estupro? - diz Daniel num tom de indignação - porque não manda outro perito qualquer?
- Daniel, - responde Rafael num tom de voz calmo - preciso que você veja este corpo. Você vai querer ver este corpo. Acredite em mim.
- Tudo bem, eu estou agora no final da Ernest Rutherford. Devo chegar aí em cerca de meia hora. - disse já desligando o telefone.

Estava chovendo quando Daniel chegou à rua indicada e pôde ver de longe as luzes das viaturas em frente à casa. Ele estacionou o carro, suspendeu a gola do casaco que vestia, pegou a maleta metálica onde carregava todos os acessórios que usava nas perícias e abriu a porta. Um policial veio até ele e emprestou-lhe um guarda-chuva.

- Boa tarde, Daniel. - disse o policial sorrindo.
- Boa tardeee... policial Renato - disse Daniel enquanto olhava o nome do policial em sua farda - Obrigado pelo guarda-chuva.
- Que nada, é um prazer. - respondeu o policial, sorrindo - Eu li a matéria que saiu sobre o senhor no jornal da semana passada. Foi realmente fantástico como levantou todas as provas daquela maneira e prendeu aquele maníaco. O senhor é um herói!
- É só o meu trabalho, amigo - disse ele, dando um leve tapa no ombro do policial - Não tem heroísmo nisso. Eu faço e recebo meu salário, só isso.

A porta da casa estava aberta. Em sua frente um policial corpulento montava guarda. Ele o cumprimentou, mostrou sua identificação de perito e entrou. A casa estava em perfeita ordem. Nada fora do lugar. Nem parecia que um crime havia acontecido ali. No sofá da sala estava sentado o detetive Rafael.

- Você chegou rápido! - disse Rafael apagando o cigarro na mesa de centro da sala enquanto levantava.
- Quando é que você vai parar de fumar essa porcaria?
- Olá, Daniel! É muito bom ver você também! - disse em tom sarcástico.
- Certo. - respondeu Daniel apertando a mão de Rafael - É que meu dia não foi muito bom.
- E não foi muito bom também para a mulher que está no quarto - disse apontando para a porta do quarto.
- Sim. Me fale sobre o que você já viu.
- Muito bem. - respondeu Rafael enquanto gesticulava com a mão indicando para Daniel segui-lo - Assim que chegamos notamos que a casa estava toda arrumada e que aparantemente não faltava nada, logo não parecia tratar-se de um latrocínio. Nem havia sinais de arrombamento.

- É. Eu também notei que a casa está em perfeita ordem. Então a vítima conhecia o agressor...
- Parece que sim. Ou então alguma coisa fez com que ela abrisse a porta. Supomos tratar-se de um estupro pelo fato da vítima estar sem a parte de baixo da roupa, deitada de bruços sobre a cama. - disse Rafael apontando para o cadáver sobre a cama.
- Sim, estou vendo, mas porque você mandou me chamar?
- Dê uma olhada nas mãos dela.

Daniel aproxima-se do corpo enquanto coloca suas luvas de borracha para não contaminar a cena com suas digitais e pega o braço direito da vítima.

- Arrancaram o polegar dela? Porque fariam isso?
- Ah, meu amigo. Foi por isso que te chamei. Quero que você me conte uma história! - disse Rafael sorrindo.
- Hum. O corte foi bastante preciso - disse enquanto observava - cortaram direto na junta entre os ossos. Não acredito que a pessoa não soubesse o que estava fazendo.
- O que você quer dizer com isso? - Perguntou Rafael.
- Eu não quero, eu estou dizendo que o corte foi preciso, oras! - respondeu ele um pouco irritado.
- Sim, o que mais?
- Você pode me deixar trabalhar em paz?
- Tá bem, porra! - disse Rafael levantando as mãos e saindo do quarto.

Agora sozinho no quarto, Daniel dá um suspiro e continua seu trabalho, fotografando o corpo e buscando por evidências ao seu redor. Existem marcas ao redor do pescoço da vítima, indicando um possível estrangulamento. Busca por impressões digitais mas não encontra nada. Tudo está impecavelmente limpo. Os móveis, roupas, enfeites, tudo no seu devido lugar. Algum tempo depois, enquanto está se preparando para ir embora ele percebe uma pequena mancha brilhante no chão. Daniel abre novamente sua maleta e usando um bastão com um pequeno chumaço de algodão na ponta ele recolhe o material. Com uma rápida aproximação do nariz ele percebe que o material que acabou de recolher é esperma. Ele recoloca o bastão no tubo plástico, fecha e guarda na maleta.

- Terminou? - pergunta Rafael entrando pela porta.
- Já terminei sim. Preciso voltar pra central. Vou descarregar as fotos e depois vou analisar os dados que coletei aqui.
- Certo. Vou mandar recolher o corpo para o legista.
- Tudo bem. Eu já terminei por aqui. Depois me passe uma cópia do relatório do legista para confirmação da agressão sexual e da causa da morte. Eu encontrei umas marcas no pescoço da vítima e acho que ela foi estrangulada.
- Hum. Tudo bem. Depois que você tiver digerido seus dados científicos voltamos a conversar sobre esse caso. - diz Rafael sorrindo. Daniel apenas vira-se sem dizer nada, apanha o guarda-chuva que deixou apoiado perto da entrada e sai pela porta da frente.

Já é tarde da noite quando Daniel chega à central. Ele passa no laboratório e encontra apenas seu amigo Bruno sozinho. Ele dá uma batida no vidro com as costas da mão para lhe chamar a atenção.

- Daniel? Você por aqui uma hora dessas? - diz Bruno suspendendo a sobrancelha.
- Tudo bem, Bruno?
- Tudo bom, meu velho. Diz aí, no que posso te ajudar?
- Queria te pedir um favor, meu caro.
- Pode falar! - responde Bruno.
- tenho essa amostra de material aqui e precisava que você tirasse o perfil de DNA pra que eu possa fazer uma pesquisa. - diz Daniel mostrando-lhe o tubo com a vareta dentro.
- Mas esse material nem foi registrado ainda como evidência - diz Bruno observando a falta de etiquetas.
- É, eu sei. É que eu cheguei meio tarde aqui e não encontrei ninguém pra dar entrada. Estou curioso a respeito dessa amostra. Dá pra fazer?
- Dá sim, tudo bem. Mas só vou poder lhe entregar o resultado amanhã de manhã. Esse tipo de perfil leva um tempinho pra ficar pronto.
- Não tem problema. Eu vou pra minha sala transferir umas fotos pro servidor e depois vou pra casa. Amanhã a gente se fala.
- Ok.

Daniel chega ao andar onde sua sala fica e encontra tudo muito deserto. Ele abre a porta de sua sala, entra, e joga-se na cadeira soltando um suspiro. Coloca a maleta sobre a mesa, retira de dentro dela a máquina fotográfica e conecta-a ao computador para subir as fotos para o servidor. Ele sente vontade de ver as fotos que tirou, mas o cansaço fala mais alto. Na verdade ele não sabe porque se sente tão cansado. Tenta imaginar o motivo, mas logo desiste e resolve desligar tudo e ir para casa.

Em sua casa, um modesto apartamento quarto e sala, no terceiro andar de um prédio da rua J.J. Thomson que ele divide com ninguém, Daniel coloca sua pasta sobre o sofá e vai ao armário da cozinha pegar uma garrafa de Johnnie Walker Red Label e um copo. Ele senta no sofá, coloca o copo sobre a mesinha de centro, abre a garrafa e quando vai encher o copo ele percebe que não pegou o gelo. Quer saber? Dane-se - pensou - e resolveu tomar o whisky cowboy mesmo. Enquanto bebia ele ficava pensando naquele homem de sobretudo preto que viu mais cedo. Ficou pensando e acabou adormecendo ali mesmo, com o copo na mão.

Daniel sonhou. Sonhou um sonho que na verdade era um pesadelo. Nele, o homem de sobretudo preto ria e ele, de arma em punho, dizia para ele parar. Daniel fez vários disparos em direção ao rosto daquele homem, mas nada acontecia. Ele continuava a rir. Subitamente ele acorda com um susto. O copo acabou virando e derramando a bebida em sua calça. Daniel se levanta e vai ao banheiro tomar banho.

O dia está claro novamente e Daniel chega em sua sala para mais um dia de trabalho. Rafael bate em sua porta e entra.

- Bom dia! - diz ele sorrindo e de braços abertos.
- Bom dia... Qual o motivo de tanta alegria?
- Hum.. Nada não. Apenas acordei de manhã e vi que estava vivo.
- Ah. Fala sério, Rafael. - diz Daniel com um sorriso sarcástico.
- Sério mesmo! Nosso trabalho é ficar o dia todo vendo gente morta. Eu me sinto feliz por estar vivo mais um dia.
- Certo. Tá bom.
- Alguma novidade no caso? Você disse que ia estudar os dados que coletou.
- É. Eu dei uma olhada ontem de noite, mas estava muito cansado e acabei indo dormir. Mesmo assim, acho que já podemos montar um perfil do assassino com base no que temos. Ah! Eu já ia me esquecendo de dizer. Ontem quando estava indo embora eu encontrei... - nesse momento o celular de Rafael toca.
- Alô! - diz ele atendendo o telefone e fazendo sinal para Daniel esperar, enquanto sai da sala para falar. Daniel consegue vê-lo gesticulando através do vidro. Depois de uns 2 minutos ele bate novamente à sua porta e abre.
- Preciso sair agora. Depois conversamos.
Rafael sai da sala enquanto a mola automática fecha a porta atrás de si. Cinco segundos depois ele volta.
- Toma.  - diz ele jogando-lhe um envelope. - Bruno pediu que te entregasse. Quase esqueci. - e sai da sala novamente.

Daniel rompe o lacre do envelope e vê que dentro dele está o perfil de DNA que ele pediu que fosse retirado da amostra de esperma. Ele posiciona a página no scanner e aciona o programa de comparação com a base de dados. Alguns segundos se passam e quando o resultado salta em sua tela, ele sente um arrepio profundo subir-lhe pela espinha e uma súbita sensação de horror lhe toma conta.

Na tela do seu computador, o programa aponta que o perfil do DNA da amostra corresponde ao seu próprio.

[Continua...]

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Banshee




Banshee é um ente fantástico da mitologia celta (Irlanda) que é conhecida como Bean Nighe na mitologia escocesa.O termo origina-se do irlandês arcaico "Ben Síde", pelo irlandês moderno "Bean sídhe" ou "bean sí", significando algo como "fada mulher" (onde Bean significa mulher, e Sidhe, que é a forma possessiva de fada). Os Sídh são entidades oriundas das divindades pré-cristãs gaélicas. Encontramos algumas semelhanças entre a Banshee e a Moura encantada portuguesa e galega.As Banshee provêm da família das fadas, e é a forma mais obscura delas. Quando alguém avistava uma Banshee sabia logo que seu fim estava próximo: os dias restantes de sua vida podiam ser contados pelos gritos da Banshee: cada grito era um dia de vida e, se apenas um grito fosse ouvido, naquela mesma noite estaria morto.
Tradicionalmente, quando uma pessoa de uma aldeia irlandesa morria, uma mulher era designada para chorar no funeral. Nós usamos a palavra carpideira. Mas, as banshees só podiam lamentar para as cinco maiores famílias irlandesas: os O'Neills, os O'Briens, os O'Connors, os O'Gradys e os Klatte's no caso, uma fada era responsável por cada família. Seria o choro da mulher-fada. Essas mulheres-fadas apareceriam sempre após a morte para chorar no funeral. Conta a lenda que quando um membro de uma dessas famílias morria longe de sua terra, o som da banshee gemendo seria o primeiro aviso da morte.
Também se diz que essas mulheres, chamadas de fadas, seriam fantasmas, talvez o espírito de uma mulher assassinada ou uma mulher que morreu ao nascer. Na Irlanda se acredita que aqueles que possuem o dom da música e do canto, são protegidos pelos espíritos; um, o Espírito da Vida, que é profecia, cujas pessoas são chamadas "fey" e têm o dom da Visão; o outro, o Espírito da Maldição que revela os segredos da má sorte e da morte, e para essa trágica mensageira o nome é Banshee.Sejam quais forem suas origens, as banshees aparecem principalmente sob um dos três disfarces: uma jovem, uma mulher ou uma pessoa esfarrapada. Isso representa o aspecto tríplice da deusa Celta da guerra e da morte, chamada Badhbh, Macha e Mor-Rioghain. Ela normalmente usa uma capa com capuz cinza, ou uma roupa esvoaçante ou uma mortalha. Ela também pode surgir como uma lavadeira, e é vista lavando roupas sujas de sangue daqueles que irão morrer. Nesse disfarce ela é conhecida como bean-nighe (a lavadeira). Segundo a mitologia celta, também pode aparecer em forma de uma jovem e bela mulher, ou mesmo de uma velha repugnante. Qualquer que seja a forma, porém, sua face é sempre muito pálida como a morte, e seus cabelos por vezes são negros como a noite ou ruivos como o sol.
O gemido da Banshee é um som especialmente triste que parece o som melancólico do uivo do vento e tem o tom da voz humana além de ser audível a grande distância. Embora nem sempre seja vista, seu gemido é ouvido, usualmente a noite quando alguém está prestes a morrer. Em 1437, se aproximou do rei James I da Escócia, uma vidente ou banshee que profetizou o assassinato do rei por instigação do Conde de Atholl. Esse é um exemplo de banshee em forma humana.
Existem muitos registros de diversas banshees humanas ou profetizas que atendiam às grandes casas da Irlanda e às cortes dos reis locais. Em algumas partes de Leinster, se referem a elas como bean chaointe (carpideira) cujo lamento podia ser tão agudo que quebrava os vidros.
É bom lembrar que a banshee pertence exclusivamente ao povo Celta. Ela jamais será ouvida a anunciar a morte de qualquer membro de outras etnias que compõem a população irlandesa.
A banshee também pode aparecer de várias outras formas, como um corvo, um arminho, uma lebre ou uma doninha – animais associados, na Irlanda à bruxaria.


Curiosidades : No livro de J. K. Rowling autora de Harry Potter o bicho-papão de Simas Finnigan é uma Banshee.

Banshee é o codinome de um dos mutantes dos X-men com poderes sonoros sobre-humanos

Na série de televisão americana Charmed , uma banshee são uma raça rara de demônios com cabelo branco distintivo e um grito agudo - audível apenas para cães e sua pretensa vítima - que pode estourar vidro e vasos sanguíneos, matando um mortal, ou transformar uma bruxa pré-dispostos a dor emocional em uma banshee.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Huldra



Huldra (do norueguês “coberto ou secreto”). Originaria da mitologia escandinava. É descrita como sendo uma bela jovem de corpo voluptuoso, porém possui em sua costa uma cauda de raposa (ou de vaca), assim como um buraco semelhante ao de um tronco velho.

Segundo as lendas, a Huldra, é um ser da floresta, portadora de força sobre-humana e resistente a ferimentos, possui poderes sobrenaturais e vive na floresta, lugar onde atrai homens que sucumbiram a seus encantos, tendo assim relações sexuais com eles, porém ele deve satisfazê-la, do contrario ela o matara ou o castigara, obtendo êxito ela lhe recompensara.

Mas esta relação é perigosa, uma vez nos braços da Huldra, o Homem, se torna obcecado a ponto de retornar varias vezes, todas as noites, resultando na drenagem de sua energia, o tornando cada vez mais fraco e debilitado a ponto de não conseguir andar.

Porém existem formas de se quebrar este encanto, amarrar em si, ervas como a Tibast e Vandelrot causara o desinteresse da Huldra por você, ela lhe dará as costas e ao ver a costa oca, o feitiço será quebrado.

As lendas contam que a Huldra aparece em meio à neblina ou chuva, gentil e amigável, vestida como uma dama e escondendo sua cauda embaixo da saia, mas deve se ter cuidado ao avista-la e ainda mais ao falar sobre, pois a Huldra pode achar desrespeitoso e lhe castigar.

Se ela casar em uma igreja, sua cauda cairá lhe tornando Humana e sua beleza se tornara feiura.

Aparece na mitologia Sueca, Norueguesa e alemã.

Pelo bem da humanidade

11 de Março, 1944

Os papéis forjados eram perfeitos, como disseram que seria. Eu não tive problemas em me infriltar na segurança da conferência. Hitler está dentro do chalé e tudo está indo conforme planejado. Mesmo tendo chegado há dois meses, a sensação de irrealidade ainda não passou. Eu estou no Berghof, a vila particular do Führer, em Obersalzberg, eu estou vestindo um uniforme nazista, eu estou no passado e eu sei o que vai acontecer hoje.

Eu aprendi nos livros de história, como todo mundo. Eles me contaram o que eu perderia, caso aceitasse a proposta. Me tornar um agente da Eternidade. Meu trabalho seria destruir o mundo que eu conhecia. Eu deveria alterar o passado em busca de um presente melhor, mas não seria mais o meu presente.

Minha família, amigos, tudo que eu conhecia deixaria de existir assim que completasse minha missão. Talvez algo melhor surgisse, talvez algo pior. Nem a Eternidade tem como saber. Os técnicos, historiadores e agentes da organização estão protegidos da mudança na linha temporal. O quartel-general da Eternidade fica fora do tempo e do espaço. Longe das ondas transformadoras da história.

Finalmente eu vejo o meu alvo, o Capitão de Cavalaria Eberhard von Breitenbuch, auxiliar dos Coronéis Erwin von Witzleben, Ernst Busch e Guenther von Kluge.

Eu sei que ele carrega escondido uma pistola Browning 7.65 mm. Engraçado o quão pouco esforço é necessário para mudar o futuro. Eu paro von Breitenbuch antes que ele entre no chalé e falo “Sinto muito senhor, não são permitidos auxiliares na conferência. Ordens do Führer.” A decepção no rosto do capitão é quase perceptível. Mas ele faz uma saldação nazista, que eu retribuo, e vai embora sem dizer nada.

Conforme o meu passado, hoje seria o dia em que Eberhard von Breitenbuch atirava em Hitler à queima-roupa. Ele seria executado pela S.S. Heinrich Himmler assumiria o poder e conseguiria apoio total do povo alemão. Hitler se tornaria um martir e isso daria forças suficientes para aniquilar o avanço russo pelo fronte oriental.

Em 1949, os americanos lançariam duas bombas atômicas, Big Mama e Little Sister, em Berlim e Roma. Meus avós paternos estariam em Berlim e morreriam na explosão deixando o meu pai orfão.

A 3ª Guerra Mundial começaria, através do Atlântico e nos campos da Russia. Mas o Reich não teria forças suficientes para outra guerra. A Alemanha seria derrotada pelas forças americanas e russas, em 1952. Logo depois, a Europa seria dividida entre as duas novas superpotências e uma Guerra Fria de 57 anos se seguiria.

Quando me contrataram, eles me mostraram o que aconteceria 8 anos em meu futuro. Em 21 de outubro 2017, os silos de bombas despejariam morte e encheriam o mundo de radiação.

Esta é a 12ª vez que a Eternidade impede o assassinato de Hitler. Toda vez que ela frusta uma tentativa, Hitler continua sendo morto em outra, criando um futuro pior. Os outros agentes que conheci vieram dessas realidades e me contaram como eram algumas delas.

Ele me contaram também que a primeira vez que Hitler morreu foi uma missão da própria Eternidade. A organização acreditava que criaria um mundo melhor, mas acabou criando uma reação em cadeia que agora tenta contornar.

Por isso, eu aceitei esta missão. Não importa como será o futuro, ele não poderia ser pior do que o mundo de onde eu vim. Eu salvei Hitler pelo bem da humanidade.

Fonte: www.contoscurtos.com

Normandia Negra



De acordo com ele, no ano de 2000, o navio em que trabalhava como marinheiro estava em Le Havre, França. Estavam carregando e descarregando e por volta das 23:45 da noite, quase meia noite ele foi até a ponte para render o companheiro. Essa troca de turno é muitas vezes chamada de troca do túmulo (graveyard shift) na marinha. Acho que dão esse nome por que acontece um pouco antes da meia-noite, hora dos fantasmas…

Ao entrar na ponte, viu o companheiro e o mestre matutando sobre informes metereológicos, o mestre lembrou que não tinha lançado âncora e e estavam esperando ventos fortes para a madrugada. Ele também queria evitar que o navio batesse em algum resto de navio da segunda guerra mundial, ou outra relíquia qualquer dessa guerra, já que haviam muitas espalhadas na área.

O mestre disse a ele que ele ficaria de vigia, já que falava um inglês fluente e seria a melhor pessoa para se comunicar com o porto e ouvir informes e instruções deles, se fosse o caso.

Então começou o turno dele, o tempo passou. Passada algumas horas, ele recebeu uma chamado do controle portuário. Estranho é que o operador do porto falou com ele em inglês, e ele não esperava por isso. Talvez ele (o operador) pensasse que ele fosse americano… Não sei. Depois da comunicação pelo rádio, e recebido os informes, ele foi para o merecido descanso.

Então ele sonhou um tipo de sonho vívido, que segundo ele, não é normal ele ter, assim como não foi normal ele ter lembrado de tudo depois. No sonho ele viu um pelotão de cinco ou seis homens vestidos em uniformes americanos da segunda guerra, e jaquetas padrão de inverno. Era uma tarde um pouco nebulosa, e muito tranquila. Não havia sinais de conflito armado em qualquer lugar, corpos, casas queimadas, tanques destruídos, nada. Era apenas uma estrada enlameada com as árvores altas, em uma pacífica zona rural e este pequeno grupo de soldados marchando.

Eles estavam marchavam de forma relaxada e casual. Um deles era um oficial, ele percebeu isso por causa da faixa branca na parte frontal do capacete . Eram todos jovens, ninguém acima dos 25. Todos estavam armados, com exceção do oficial.

Os soldados tinham expressões graves e sombrias. Parecia que eles tinham os olhos fixos em algo à frente, além da estrada. Eles não parecia percebê-lo e eles estavam marchando lentamente para ele. O pelotão chegou cada vez mais perto, e então parou. O oficial o olhos nos olhos e disse de forma clara, calma e baixa: ” Normandia Negra”.

Segundo ele, ele nunca esteve na França antes, mas podia jurar que pelo local, vegetação que era a França e que os soldados eram marines. Então, o cenário mudou, ele viu algo que parecia base americana, e ele sabia que estava em algum lugar da França. Ele viu cerca de 150 soldados, divididos em três colunas, totamente alertas. No sonho, eles estava a uns 50 metros de distância, à esquerda. Enquanto olhava, eles gritaram alto: “Glória! Glória! Glória.”

Após esse estranho sonho, ele pensou que nada se encaixava. Primeiro, ele não era um nativo da língua inglesa, ele não americano, britânico, ou o que valha. Mas o sonho foi em inglês! E ele não sonhava em inglês, que lembrasse. Segundo ele, nem mesmo se lembrava de sonhos.

A teoria é que os fantasmas dos soldados americanos de alguma forma o ouviram falar em inglês para o operador de rádio do porto e eles decidiram aparecer e dizer “Olá”.

Talvez eles estivessem com saudades de casa, ou ansiosos para enviar um recado de que “ainda estamos aqui”?

Talvez eles ainda não saibam que a guerra acabou. Uma coisa é certa embora: alguns deles, pelo menos, ainda estão lá.

De qualquer forma, ao contar essa experiência, ele se sente melhor, porque para ele, é incompreensível porque soldados mortos há mais de 60 anos iam gritar “glória, glória, glória” ou dizer “Normandia Negra”.

Ele nunca mais sonhou em inglês. Nunca mais sonhou com a França e Le Havre. Nunca mais sonhou com soldados da segunda guerra. Mas se eles queriam passar um recado, talvez agora eles consigam através dele.



 Fonte:  http://www.castleofspirits.com/

Confronto Dos Deuses A Mitologia De Tolkien

Um documentario que vale a pena conferir, ainda mais por se tratar de um dos meus filmes favoritos, eu não sabia que as influencias do filme iam tão longe assim.Então assista e se puder deixe seu comentario :)



O Monastério



O ano era de 1432, já era noite quando o sino do portão do monastério tocou. Frei Romeu correu para ver quem era segurando somente uma tocha na mão. Ele era o responsável pelo portão e segurança do monastério, pois havia muitos ladrões nas vilas vizinhas roubando o pouco que eles produziam.

“Quem é você?” – perguntou Romeu.

“Meu nome é Joel, estou viajando e preciso de um abrigo. Tem uma tempestade vindo do norte posso me ferir se eu ficar exposto.”

Frei Romeu olhou para o céu e viu nuvens carregadas se aproximando do monastério. Abriu o portão e deixou o homem entrar. Era obrigação da igreja dar abrigo para as pessoas que necessitavam.

“Para onde está indo Joel?”

“No momento para nenhum lugar e para todos ao mesmo tempo.”

“Bem estranha sua resposta, mas tudo bem. Você vai ficar no celeiro com os cavalos, não é permitida a entrada de forasteiros no alojamento. Se quiser pode assistir a missa e comer na cozinha”


“Não tem problema, até gosto de animais e prefiro ficar por aqui mesmo, tenho minha própria comida não se preocupe.”


Os dois escutaram o sino do portão e olharam em sua direção.

“Deve ser mais gente querendo abrigo.” – disse Romeu.

“Vou me recolher e dormir, pois estou muito cansado, nos vemos amanhã. Obrigado pela ajuda.” – respondeu o visitante.

Frei Romeu correu para o portão e abriu a pequena janela, lá fora um homem muito feio com roupa de frade montado em cavalo negro esperava ser atendido.

“Sou Frei Hermes, fui transferido para este monastério pela nossa congregação” – disse o homem estendendo a mão com um pergaminho enrolado.

A porta foi aberta imediatamente e o novo morador entrou.

“Seja bem vindo irmão Hermes, eu levarei seu cavalo para o estábulo e você pode entrar no mosteiro, pergunte pelo irmão Mark ele vai te orientar e mostrar seu quarto.”

O estranho foi para a entrada do monastério e Frei Romeu foi colocar o cavalo nos estábulos. Entrou de vagar para não acordar Joel, pois sabia que ele estava muito cansado e não queria incomodar, mas o cavalo deu um pulo para trás e relinchou alto. Romeu tentou controlar o cavalo de todas maneiras mas não pôde.

“De onde veio esse cavalo? – perguntou Joel gritando.”

O cavalo saltou e derrubou Frei Romeu com as patas da frente e correu assustado para a escuridão da noite.

“De onde veio esse cavalo?” – questionou Joel sacudindo o frade.

“É de um frade que acaba de chegar. O que esta acontecendo?”

“Onde esta ele?”

“Não sei, deve estar na sala de jantar com os outros frades, pois já estão comendo. Por que você esta agindo assim?”

“Guie-me até lá, com sorte seus companheiros ainda estarão vivos.”

Joel abriu sua sacola e pegou um punhal de prata e um crucifixo de madeira e os dois correram para o prédio. Quando se aproximaram um pouco puderam ouvir gritos, gemidos e grunhidos animalescos. Romeu estava pálido, não sabia o que fazer e estava com medo. O que poderia estar causando tal confusão?

Joel abriu a porta da sala de jantar com um chute, o que mais temia tinha acontecido. Frei Romeu olhou com terror aquela cena. A sala estava cheia de sangue, corpos mutilados estavam em cima das mesas onde os frades comiam. O frei recém chegado havia se transformado, no lugar dos pés havia cascos, suas mãos agora eram garras, a pele se transformou em couro e os olhos estavam grandes e vermelhos.

A criatura olhou para Joel e gritou com ódio.

“Surpresa.” – disse Joel com um sorriso sínico para o demônio.

“Joel, veio se juntar ao meu jantar?”

“Não, vim acabar de vez com sua maldade. Você foi realmente inocente de ter mordido a minha isca. Seu chefe ficará desapontado quando souber da sua derrota.”

Os dois saltaram um em cima do outro e começaram a lutar. O demônio arremessava Joel nas paredes mas ele agüentava tudo com uma resistência sobre humana. Os frades que ainda estavam vivos observavam tudo com terror, se agarravam as suas cruzes e rezavam. Notaram que Joel tentava acertar a criatura com o punhal ou o crucifixo, mas o demônio era muito ágil. A luta continuou e a sala estava cada vez mais destruída e o demônio parecia estar ganhando a batalha.

Joel deixou o crucifixo cair no chão e o demônio riu. Agora com uma das mãos ele tentava segurar as garras que apertavam seu pescoço contra a parede. Frei Romeu olhou para os olhos de Joel que lhe pediam ajuda e correu em direção aos dois. Os outros frades tentaram segurá-lo, mas ele se recusou a ficar de braços cruzado então foi ao encontro dos dois, pegou o crucifixo do chão e o apertou com toda sua força contra as costas do demônio. Os símbolos cravejados no crucifixo iluminaram-se e o crucifixo começou a ser enterrado no corpo da criatura que a esse ponto havia soltado Joel e gritava rolando pelo chão tentando arrancar o objeto das costas.

“Ajudem-me a segura-lo com a barriga para cima” – gritou Joel.

Os frades saltaram em cima do monstro que já estava fraco e o seguram. Joel enfiou o punhal no estomago da besta que urrou de dor e tentou se revirar, mas os frades o mantinha deitado.

“Ele vai morrer?” – perguntou Romeu.

“Não precisamos levá-lo para o calabouço subterrâneo e prende-lo lá.”

“Mas ele é muito forte, vai romper as corretes.” – indagou um dos frades.

“Que calabouço é esse? Eu moro aqui há anos e nunca ouvi falar disso” – questionou Romeu.

“Somente alto clero o conhece, são secretos e usados para a inquisição. E ele não vai romper nada, o crucifixo e o punhal ficarão dentro para que não tenha força, funcionam como um tipo de prisão.”

Eles levaram o demônio para o calabouço e prenderam em uma mesa de tortura usada durante inquisição. Romeu olhou com terror ao ver esqueletos de humanos por toda parte e imaginou o sofrimento das pessoas presas naquele lugar.

“É o seu dever guardar esse demônio para ter certeza que ele não fuja, ele é imortal e somente está adormecido por que o punhal e a cruz o enfraquecem.” – disse Joel subindo as escadas.

“Quem é você?” – perguntou Romeu.

Ele não respondeu, todos foram atrás de Joel, mas ele já tinha desaparecido. Por centenas de anos os frades daquele monastério têm cuidado do demônio que continua adormecido no calabouço, mas seu espírito tenta dominar a mente dos frades para que o libertem e finalmente possa mais uma vez voltar ao exército do diabo.



Fonte : www.contosehistoriasdeterror.com

Krampus




O Krampus é um ser mitológico popular no folclore Alpino (Países que ficam perto dos Alpes; Suíça, França, Alemanha, Itália, Áustria, Eslovenia e Liechtenstein). Ele acompanha São Nicolau em suas visitas às casas das pessoas, e, enquanto Nicolau dá presentes às boas crianças, Krampus pune as más.
O nome Krampus vem de 'krampen', 'garra' em alemão antigo. Mas ele também possui outros nomes, dependendo da região, como Klaubauf, em algumas partes da Áustria, Pelzebock ou Pelznickel na Alemanha entre outros.
Sua aparência mais comum é quase a mesma que se dá aos demônios: Metade homem, metade bode, com chifres, cauda longa e uma língua enorme e comprida. Mas também ele pode ser caracterizado como um cavalheiro vestido de preto ou uma criatura muito cabeluda, dependendo da região em que se ouve sua história.
Acredita-se que o Krampus exista desde antes dos países germânicos tornarem-se cristãos, mas aparecendo sozinho nas histórias. Ele é uma figura tão forte do folclore europeu que conseguiu sobreviver à Insquisição da Igreja Católica, quando esta acusava e bania qualquer celebração que não fosse da religião. No século 17, o Krampus entrou nas festividades do Natal católico e começou a fazer companhia a São Nicolau em suas viagens.
Krampus entra nas casas procurando crianças más, que mentem, que se comportaram mal durante o ano; assim que encontra uma, ele a pune com correntes enferrujadas e depois as leva embora, colocando-as dentro de uma cesta para jogá-las em uma fogueira.
Atualmente, em alguns países dos Alpes, celebra-se o Krampusnacht (Noite do Krampus) no dia 05 de Dezembro (Uma vez que dia 06 é comemorado Dia de São Nicolau). As pessoas se vestem como a criatura, e saem pelas ruas participando do Krampuslauf (Corrida do Krampus), onde as pessoas fantasiadas correm pelas ruas segurando tochas e assustando crianças e adultos.
Também é comum trocar cartões com imagens do ser, os chamados Krampuskarten (Cartões do Krampus), com imagens da criatura atacando/atrapalhando crianças, ou até mesmo insinuando-se para mulheres. Os cartões geralmente vem com o escrito Grüß vom Krampus(Lembranças do Krampus) e acompanham poemas engraçados ou frases.

Nota : Para tentar compensar esse tempo que estive fora vou tentar trazer alguns artigos interessantes para o blog eu não pretendo parar de escrever os meus proprios textos mas durante algum tempo ou quem sabe de agora em diante você se depare com textos aleatorios mas que ao menos sejam interessantes de ler.
Espero não ter assustado você com esse post embora eu mesmo ache que isso ai nem da medo mas qualquer coisa desculpa ai ! (rs). Seu comentario é sempre bem vindo.
Fonte : Medo B

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Drogas e outras drogas






Antes de começar o assunto desse nosso encontro gostaria de me desculpar com você pela queda na produção de texto do mês de fevereiro, acredite não foi intencional, nós não tinhamos em mente ficar de "férias" mas infelizmente aconteceu, sendo assim, desculpe!
Durante o mês de fevereiro durante uma aula na faculdade um assunto muito interessante foi posto para ser debatido, esse assunto era "Drogas" ( ou seria droga ? ah dane-se ) continuando...você pode ou não saber que as drogas fazem parte do nosso dia-a-dia, que todos nós somos usuarios dela ( sim...é isso ai você é usuario mesmo '-' ) agora as questões a se pensar é "desde quando?", " porque são procuradas?", "é possivel viver sem?", "faz mal ?", "faz bem ?". São tantas perguntas para poucas respostas conhecidas e é isso que me deixa indignado, as respostas existem o problema é que foi criada uma imagem da qual nós temos que nos afastar das drogas seja por qualquer motivo não importa se seja positivo ou negativo temos que manter a distancia isso gerou a renuncia de estudos que na minha humilde opinião deu um freio nos avanços da ciência nessa questão claro. Esse assunto é bem complexo eu tenho receio de que o texto seja visto por você tecnico demais ou longo e cansativo, eu sempre tento manter o dinamismo e uma leitura facil diferentes daquelas que você tem que consultar o dicionario centenas de vezes, não que isso seja ruim mas...enfim se durante o texto você tiver essa sensação por favor conclua a leitura, esse assunto exigiu um pouco mais de mim já que se trata de medicina, valores e até politica é um assunto importante e vale a pena conhecer, repassar e discutir, você nao vai se arrepender...eu acho.
Este conjunto de reflexões expressados em forma de texto, tem como objetivo argumentar e discutir ideias referentes a drogas, este assunto poderia ser discutido de maneira positiva ou negativa, mas não seria sensato discorrer este tema tomando uma única vertente, por isso será posto na balança todos os benefícios e malefícios para que cheguemos a uma conclusão ou ao menos futuramente tratarmos esse assunto de uma forma panorâmica. Para que possamos iniciar estas reflexões é essencial que abordemos o significado e a história das drogas. O termo "droga" envolve os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranquilizantes e barbitúricos, além do álcool e substâncias voláteis. As psicotrópicas são as drogas que tem tropismo e afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento.
Indo para o lado social e quanto à legalidade a droga pode ser dividida em drogas licitas e drogas Ilícitas. As drogas lícitas são aquelas que são liberadas a venda e as drogas ilícitas recebem o controle judicial tendo sua comercialização proibida. É importante ressaltar que só por que as drogas ilícitas sofrem maior repressão não quer dizer que as drogas lícitas sejam mais “leves”.  Os contrastes que esses dois tipos de drogas podem causar no comportamento de uma pessoa varia muito de pessoa pra pessoa: Uma pessoa pode perder totalmente o controle de si com algumas latas de cerveja (droga lícita) e sentir apenas o coração acelerar com algumas pílulas de ecstasy (droga ilícita). Porém, independente da alteração que trazem para o corpo tanto drogas licitas quanto ilícitas tendem a provocar o mesmo efeito padrão de todas as drogas – Mudança no comportamento psicológico e físico do individuo – Portanto, licitas ou ilícitas drogas sempre serão drogas.
A relação entre homem e as drogas já existe a mais tempo do que se pensa algumas vezes por fins medicinais, outras vezes por uma busca de prazer e também por atividades religiosas. Alguns dos indivíduos que procuram essas substancias estão em busca do prazer já que em certas ocasiões estão passando por problemas, as drogas servem como uma rota de fuga mas o grande risco é o da dependência oque muitas vezes acontece. A curiosidade também tem sua participação na procura ou aceitação das drogas, sempre fomos guiados com o conceito de que as drogas são ruins e de que nos causam um mal, que matam, mas a parti do momento que a pessoa o primeiro contato com um determinado tipo de droga e aquilo acaba trazendo uma sensação contraria a prevista e avisada os questionamentos aparecem e as vezes o uso se torna repetitivo já que é bem difícil para o ser humano resistir as coisas que lhe dão prazer e aparentemente estão fazendo bem.
Lidar com as drogas não é tão simples já que nós recorremos a elas por inúmeros motivos, um exemplo disso é quando são usadas de uma forma medicinal, o combate as dores ou doenças, é muito mais simples e rápido adquirir um remédio sintetizado para uma dor de cabeça do que deitar e descansar na espera de que a dor vá embora por si só, é claro que existem casos que isso seria necessário por exemplo: durante a jornada de trabalho ou para uma serie de tratamento para alguma doença muito “forte” importante é justo sim recorrer a medicamentos porque é até preciso devido a urgência da melhoria, mas usar de forma constante é muito perigoso e seria uma boa iniciativa tentar evitar, principalmente quando se trata de ocasiões que estamos em casa e vem aquela dor de cabeça o melhor mesmo é dormi. Os remédios que a muito tempo eram feitos como chás de uma forma natural da própria erva estão sendo esquecidos e trocados por pílulas que tendem a ser mais químicas do que naturais e esses remédios não deixam de ser perigosas como as outras drogas. A fronteira para o remédio se tornar veneno se resume em uma palavra: dose; quando não se tem a consciência da quantidade de qualquer substancia que seja ingerida mesmo que tenha sido prescrita para um beneficio qualquer exagero poderia levar o individuo a serias consequências, um exemplo disso é a overdose por o uso excessivo de aspirina. A sua produção industrial a aspirina sempre foi usada como analgésico e antitérmico. Ela tem ainda poderia ser usada , como anti-inflamatório, pode-se dizer que a aspirina seja o remédio mais usado em todo o mundo. Muitas pessoas tomam a aspirina para não terem dor de cabeça. Então essa convivência com a aspirina podemos chamar de vicio já que a pessoa usa de uma forma constante para ter uma alteração no corpo, que ao meu ver é impossível alguém viver sempre com dor de cabeça que tenha que ficar tomando o mesmo remédio todo dia.
Remédios são drogas isso é algo que não deve ser contestado, e todas as drogas são perigosas quando você as consome sem uma instrução especializada, oque é bem complicado já que quando aparentemente oque você está utilizando esta lhe fazendo bem, pouco importa a dosagem geralmente só se percebe quando estão em um estado de risco que aquilo está fazendo mal; a cerveja por exemplo a pessoa só percebe que já esta em um estado critico quando esta embriagada, no caso as outras pessoas percebem, não ela.
A proibição das drogas ilícitas pode ter sido uma decisão tomada para reduzir a venda e o consumo delas, se realmente foi por isso não esta sendo eficaz já que com a proibição no lugar das pessoas consumirem diariamente e livres ( não afirmo que elas já não consumam mais dessa maneira, mas agora tem uma certa dificuldade para adquirir) agora é preciso recorrer ao novo “inimigo” da sociedade, o trafico, o usuário se arrisca mais para conseguir o seu “produto” e é tratado como bandido, oque não pra mim não é muito correto em dizer, já que se alguns conseguem comprar sem ter que cometer nenhuma espécie de delito, não é correto generalizar todo usuário de drogas como ladrão ou marginal, se ele estiver fazendo algum mal seria para si mesmo é uma questão de livre escolha e as pessoas não deveriam interferir de qualquer maneira, a menos que chegue a um estado critico ou o próprio peça ajuda para tentar se afastar do vicio, o problema seria encarar alguém que esta em um estado critico e não quer parar de consumir essas substancias.
Pensar em descriminalizar as drogas é uma questão muito complicada porque o governo pode não estar preparado para lidar com isso, por exemplo: a instrução de dosagem que seria para uma pessoa consumir e de convencer também aquela pessoa de que existe um limite, então não é apenas o governo e sim as pessoas, nem todos estão preparados para um consumo com um policiamento próprio. É algo muito relativo, vejamos assim: Holanda fecha presídios por falta de prisioneiros uma das razões que pode ter contribuído para isso parece ter a ver com a regulamentação e legalização de algumas drogas, já que elimina o crime de tráfico, o que leva muitos usuários a serem presos, incrementando os números e lotando as celas. No Brasil, o líder da lista de crimes que mais gera prisões é o tráfico de drogas, com um índice de 24%. O roubo qualificado fica na segunda posição, com 17%. Por outro lado, a Suíça que também havia liberado o uso de drogas em seu território, proibiu esta pratica após ver as ruas de sua cidades disputadas a tiros por grupos ligados aos carteis internacionais de drogas. Então essas mudanças não são precisas já que todas as pessoas pensam de maneira diferente generalizar todas como se tivessem um senso comum é uma decisão sem firmamento.A dificuldade com a população de fazer com que sigam as determinadas instruções é muito grande, como uma pessoa que desobedece as leis de trânsito quando é dita para não dirigir alcoolizado seria capaz de seguir as normas de uma determinada quantidade que ele deveria consumir, o governo descriminalizando as drogas passaria a comercializá-las dai o problema com o tráfico seria menor, já que com a proibição todo o dinheiro iria  ser adquirido por ele, porém com descriminalização total das drogas vira problema de saúde pública, onde o afetado é somente o consumidor. O que me deixa impressionado é como o governo conseguiu proibir a maconha e a coca ambas são plantas não são feitas é laboratório embora a coca passe por um processo para se tornar cocaína, mas enfim, essas plantas tiveram ou continuam tendo diversas utilidades para o ser humano elas não são buscadas apenas para a recreação, por exemplo: algumas pessoas que estavam tendo a saúde prejudicada devido a medicamentos fortes durante a quimioterapia foram capazes de manter o seu organismo funcionando de maneira saudável com o uso da maconha, logicamente isso foi feito com uma prescrição médica e todo acompanhamento não foi um uso libertino. A coca possui diversos compostos orgânicos e inorgânicos, como na maioria da plantas. Há proteínas, vitaminas, carboidratos, gorduras, fibras, cálcio, fósforo e ferro. As propriedades analgésicas da coca são usadas até hoje em alguns povos da Bolívia e Peru. Os efeitos do alcaloide (cocaína) podem aplacar a fome e a fadiga. Não só as drogas mas como qualquer outra coisa que venhamos a consumir ou praticar se for aplicada de maneira intensa certamente nos fará mal e em alguns casos mal a alguém próximo, por mais simples que seja não devemos exagerar na dosagem de nada, experimente beber água de uma forma frenética e sem pausas, certamente você se afogaria, água faz bem mas também faz mal o mesmo acontece com as drogas fazem bem e mal tudo depende do “personagem” se ele decidir ir além dos limites ele certamente terá graves consequências.As drogas fazem mal? Sim. Fazem bem? Também, a questão é que tem o risco da dependência e para que finalidade serão usadas, como ninguém é igual a ninguém é quase impossível dizer quem vai ou não se tornar viciado é um risco muito alto quando essas substâncias são colocadas para o uso “recreativo” a pessoa poderia se exceder e acabar se prejudicando. Em minha opinião não estamos prontos para encarar a descriminalização das drogas, elas poderiam não ser usadas apenas para fins medicinais e sim como alucinógenos o que torna as coisas perigosas, qualquer coisa que tire o homem do seu estado de consciência de realidade é perigoso. Se algum dia for possível haver um consumo instruído e medido para que não acabe se tornando um problema de saúde ou dependência, quem sabe assim não poderemos tentar essa “liberdade”. Nas situações da vida nós não devemos olhar sempre para um lado da coisa se é mal a gente pela para aquele lado e só argumenta por ali porque foi dito que era assim, existe um universo de conhecimento, de lados, de ações nada na vida implica apenas para um lado, devemos ao menos tentar conhecer todos os lados da historia, de algum sujeito e até mesmo de uma substância conhecer por completo mesmo que seja difícil, para que depois disso se possa tomar um ponto de vista já avaliado e um julgamento com fundamento e mesmo assim as vezes o que é bom pra um é ruim para o outro e vice-versa, na história sempre haverá dois lado cabe a nós analisarmos cada um deles, não escolher qual lado defender porque assim seria uma tentativa de impor que apenas suas ideias são as certas, se por algum motivo escolher um lado, compreenda e respeite o outro, já que vivemos em sociedade é bastante lúcido que sejamos sociáveis e aceitemos as diferenças e compreendamos uns aos outros.


Nota : Me desculpando mais uma vez pela ausencia de texto infelizmente eu não estava tendo possibilidade de escrever, eu espero e farei o possivel para que isso não se repita. Como sempre deixe sua opinião sobre o assunto e como regra do blog, o texto não termina no ponto final. Obrigado e mais uma vez me desculpe.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O homem que sabia voar



Jonas acordou de madrugada depois de um sobressalto. Ele acabara de ter um daqueles sonhos em que estava voando. Na verdade ele vinha tendo este sonho recorrente há quase seis meses, mas desta vez algo foi diferente. Desta vez ele sentiu que foi praticamente real. Sim, ele sabia como voar, bastava apenas voar. Bastava apenas tentar. Lançar-se para o alto.

Com a respiração ainda um pouco ofegante, Jonas levanta da cama bastante suado e senta-se na poltrona que fica de frente para a janela de seu quarto. Ele está completamente nú. Prefere dormir assim por causa do calor que faz à noite no seu apartamento. Aquela noite não foi diferente, aliás, aquela noite foi especialmente quente. Alguma coisa de especial havia naquela noite, mas ele não sabia o que era, por isso ficou sentado ali, olhando para a janela, encarando o breu. Pensando.

Horas se passaram, mas para ele não fazia a menor diferença. Ele estava completamente absorto em seus devaneios, lembrando da maravilhosa experiência que tivera ao sentir-se voando. Seu corpo livre no espaço, sem nada para lhe deter. Queria aquela sensação de novo, queria muito. Aquela noite foi especial, sim. Naquela noite ele tinha certeza que aprendera a voar. Ele passou a acreditar profundamente que ainda ninguém tinha conseguido esta proeza pelo simples fato de que não acreditavam o suficiente para conseguir, mas ele não. Estava convicto! A fé - pensou - é a chave para tudo na vida. Ela torna tudo possível.

Jonas levanta da poltrona onde por tanto tempo ele pensou e continua a encarar a janela. Seu coração começa a acelerar, sua respiração fica cada vez mais ofegante. Uma gota de suor lhe escorre pela fronte. Ele levanta o pé direito e dá o primeiro passo. Logo ele está dando o segundo passo, o terceiro, o quarto e em poucos segundos, Jonas está correndo em direção à janela. Sua mulher, que dormia na cama ao seu lado, abre os olhos e se apavora com o que vê. Jonas, em sua corrida decidida, inclina o corpo para frente afim de passar pela janela e sem pensar dá o impulso para levantar vôo. Sua esposa tenta gritar, mas seu grito é abafado pelo terror da visão que está tendo, vendo seu marido com quem viveu tantos anos atirar-se pela janela desta maneira inexplicável.

Jonas fecha os olhos quando atravessa a janela e alcança o espaço vazio do outro lado e tão covicto estava de que sabia voar que ele não tem sensação de queda. Ele não sente vertigem. Ele não sente nada. Então abre os olhos e constata que sim, ele está voando! Da mesma forma como no sonho, seu corpo nú está completamente livre no espaço. Ele não olha para trás, mas para cima e procura focar seu pensamento apenas para subir. Ele inclina a cabeça para cima, pois é assim que ele aprendeu a controlar a direção do vôo, e começa a subir rapidamente até alcançar as nuvens. Seu vôo é extremamente suave. Ele consegue ver a cidade bem pequena lá embaixo. Inclina a cabeça para a direita, mudando a direção do vôo, e consegue ver o estádio. Um pouco mais adiante, ele pode ver o aeroporto. Tem até um avião decolando agora. Ele passa por cima dele e segue em diração ao mar. A visão que ele tem lhe deixa em êxtase. O brilho do Sol refletido na água é de uma beleza indescritível. Jonas está grato por poder experimentar aquilo, por poder voar de forma tão majestosa e resolve voltar prá casa para mostrar à esposa o que ele acabou de aprender.

Jonas inclina a cabeça para baixo e começa a descer, perdendo altitude, pouco depois inclina a cabeça para a esquerda dando meia volta em direção ao seu edifício. Lá está a cidade com seus carros e seus pedestres. Todos parecem ter muita pressa, mas não ele. Ele sente uma paz incrível dentro de si. Ele sente uma calma como nunca sentira antes na vida. Ele estava em paz.

Jonas pode ver ao longe a silhueta de seu edifício e começa a voar direto em sua direção. Ao se aproximar mais um pouco ele percebe que sua esposa está na janela. Ele grita por seu nome, mas estranhamente ela não olha para ele. Ele direciona seu olhar para baixo e percebe que na entrada do edifício está formada uma aglomeração de pessoas. Ele não entende o que está acontecendo e inclina sua cabeça para baixo para se aproximar do chão. Ele está completamente nú, mas se puder pairar sobre suas cabeças talvez não seja notado. Ele se aproxima da multidão e conforme previu, ninguém nota a presença dele a pairar sobre a cabeça dos transeuntes e dos curiosos. Jonas volta sua atenção para o centro da aglomeração e percebe que ali no meio há uma pessoa deitada. Ele sente seu sangue congelar quando se dá conta.

Ali, no meio da multidão, jaz um corpo completamente nú, coberto de sangue.

Ali, no meio da multidão, jaz um corpo. O corpo dele mesmo. O corpo de Jonas.

Jonas sabia voar. Ele sabia.

Mas não podia mais voltar.

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domingo, 27 de janeiro de 2013

Conto: Últimos Instantes


O Sol ainda não nasceu, mas o céu já está claro o suficiente para tornar possível ao homem ver as coisas ao seu redor. Ele se levanta. Suas costas doem e o corte em sua testa lateja.

Estava escuro quando ele tomou a decisāo e resolveu subir alí, agora ele está cercado pela luz e pelo barulho dos carros que passam. Ele se dirige até a beirada e se inclina um pouco para ver o abismo à sua frente. Um pássaro pousa no batente ao seu lado e o encara. Por um instante ele hesita, imaginando que talvez aquele pássaro pudesse ver através de seus olhos as coisas que passam em sua cabeça.  Certa vez ele ouviu alguém dizer que os olhos eram o espelho da alma.

Apesar de toda a confusāo que lhe passava pela cabeça, uma idéa fixa o perseguia. Inicialmente absurda, mas agora, olhando para baixo, ele percebeu que a idéia começava a ficar verdadeiramente atraente, principalmente depois do que ele viu, ouviu e sentiu.

O pássaro olhava-o sem julgamento, mas seu olhar era profundo e deteve o homem por alguns instantes. Minutos intermináveis se passaram até que o pássaro virou-se e passou a olhar a cidade como se buscasse por algo. Algo que não estava ali. Algo que ele não encontrara naquele homem.

O homem apoiou os braços no parapeito e subiu. Ele estava ali, com todos aqueles edificios, casas e carros sob seu pés. Sentiu uma sensaçāo de poder que jamais sentira antes. Sentiu que nada podia ser maior que ele agora. Sentiu que era imortal. Abriu os braços, fechou os olhos e ficou lá. De pé. Com o vento a balançar seus cabelos e a alisar sua pele através da camisa semi-aberta que vestia.
Abriu os olhos e não viu o pássaro mais lá e de súbito uma tristeza profunda se abateu sobre aquele homem. Ele não era livre como aquele pássaro. Ele estava preso em sua propria carne. Preso em seu corpo. Preso na sua mente.

O homem, de pé sobre o parapeito do terraço começou a chorar. As lágrimas desciam-lhe pelo rosto e ele não se incomodava em enxugar. E foi assim, de braços abertos e com os olhos cheios de lágrimas que ele se deixou lançar ao vazio.

No instante em que seus pés deixaram de tocar o batente, um filme passa em sua cabeça. Ele pôde ver quando era criança, as brincadeiras que fazia com seu melhor amigo. Viu sua mãe afagando-lhe a cabeça enquanto ele chorava em seu colo pela morte do pai. Viu as coisas que fez quando era adolescente: a primeira vez que fumou um cigarro; o primeiro gole de cerveja. Viu sua primeira namorada. Lembrou da insegurança que sentiu no primeiro dia de estágio. Lembrou da sensação que sentiu quando foi contratado. Do primeiro elogio que recebeu do chefe. Viu sua primeira viagem de avião. Viu também o acidente de carro que quase o matou. Quase, porque estava com o cinto de segurança, mas ela não.

Tudo isso ele viu e o tempo congelou, pois estas coisas lhe passaram pela cabeça como que num flash e ele ainda estava bem no alto quando abriu os olhos de novo e olhou para o Sol que acabava de nascer no horizonte. O brilho da luz era forte, obrigando-o a estender a mão. Ele estava caindo, sim, mas era como se não estivesse. Para ele, tudo havia parado. Os carros não faziam mais barulho. As batidas e marteladas da construção civil haviam parado. O vento parou de soprar. Tudo congelou, mas ele estava alí, consciente de tudo. Ele e o pássaro, que reapareceu a voar de seu lado. Naquele instante, em plena queda livre, o homem percebeu que por detrás dos olhos daquele pássaro, estavam os olhos dela. Ela, a quem ele deveria proteger, mas havia falhado miserávelmente. Ela, que tirou o cinto para pegar algo no banco de trás. Algo esse que ele mesmo pediu para que ela pegasse.

Ao se lembrar disso ele se deu conta de que tudo o que acontece na vida, é resultado de uma cadeia de eventos. Se ele tivesse deixado a chave cair no chão antes de entrar no carro, este atraso de 5 segundos teria feito o outro carro onde ele bateu ter passado direto em sua frente. Se o outro motorista tivesse derramado café na camisa antes de sair, ele não estaria lá para receber o impacto. Se ele nao tivesse puxado aquele assunto, que levou ela a perguntar sobre a foto, ele não a teria dito que a foto estava na mochila do banco de trás, logo, não teria tirado o cinto. Enquanto caia ele pensou. E percebeu que todo acidente é na verdade uma cadeia de eventos interligados. Muita coisa tem que acontecer para que um acidente aconteça e ao perceber isso ele se arrependeu.

O pássaro estava ali, voando ao seu lado. Ele, enquanto caia, olhou para os olhos do pássaro e viu um brilho, o brilho de uma lágrima. Não era o pássaro, era ela que estava alí. E enquanto o chão se aproximava ele pensou: - Não chore, meu amor, eu estou chegando.

Primeiro, veio um brilho muito intenso, tão intenso como ele nunca tinha visto.
Depois veio um baque. Um baque abafado, mas extremamente forte.
Finalmente o silêncio.
E nada mais.

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Roma/ Spartacus



Bem, darei uma introdução breve a um vídeo que irei postar sobre um dos conflitos internos que ocorreu em Roma por volta do ano de 73 a.C que foi chamada como " guerra dos gladiadores " que foi liderado pelo Trácio Spartacus , um ex-soldado que foi impedido de lutar pelo seu povo , e se tornou escravo dos romanos. Spartacus que acabou se virando um gladiador liderou uma fuga de escravos, e sua revolta sobre o governo romano, além de suas duras batalhas e dificuldades para torna-se o seu "povo" quem qual confiava nele, para se tornarem  homens livres.





Nota: Bem pessoal, além desse vídeo que relata a historia de Spartacus, e sua revolução pela Liberdade, exite também o seriado que também é muito bom , que detalha mais sobre a vida dos guerreiros desde seu inicio , treinamentos como gladiadores, e batalhas na arena, pra quem viu o vídeo e ficou curioso de mais detalhes na vida de um guerreiro gladiador , vou deixar o nome da serie para quem não conhece , se quiser acompanhar é" Spartacus: Blood and sand ". Pra concluir tentarei trazer mais videos históricos e demais assuntos. e como sempre viu e gostou, Comente e deixe seus "sussurros de um pensamento".